
A polêmica do transporte de motos em São Paulo: O que pode mudar?
2025-03-31
Autor: Gabriel
Por que São Paulo deve ficar para trás quando se trata de um serviço que já é comum nas demais capitais do Brasil? Essa é a pergunta central que mobiliza a Uber e outros defensores da regulamentação do transporte de passageiros por motos, popularmente conhecido como moto app. A prefeitura de São Paulo tem impedido a implementação desse sistema com base em um decreto de 2023, que já foi considerado inconstitucional pela Justiça em um mandado de segurança a favor das empresas que oferecem o serviço, embora esse ainda esteja suspenso por decisão liminar.
Os argumentos da administração municipal giram em torno da preocupação com a segurança, citando um aumento nos acidentes e fatalidades. No entanto, a Uber contesta essas alegações, afirmando que a proibição tende a causar mais danos à população do que benefícios. “O Uber Moto oferece uma alternativa acessível, rápida e eficiente, especialmente para trajetos curtos e áreas com cobertura insuficiente de transporte público”, afirmou Laura Lequain, responsável pelo Uber Moto no Brasil.
Com uma pesquisa recente do Datafolha mostrando que 85% dos paulistanos veem o serviço como uma alternativa viável ao transporte público e 84% a favor da regulamentação, a pressão popular é intensa. Laura destaca que o Uber Moto atende principalmente usuários de regiões periféricas, que muitas vezes ficam à margem da discussão sobre transporte. A fórmula econômica e ágil da moto app é amplamente utilizada para os chamados trajetos de 'última milha', conectando usuários a terminais de ônibus e estações de metrô.
A pesquisa revela que 88% dos entrevistados acreditam que o moto app é ideal para percursos curtos, com 52% citando o preço como o principal fator de escolha. Especialmente entre as mulheres, que formam a maior parte dos usuários, cerca de 44% consideram o serviço mais seguro do que ir a pé, principalmente à noite.
Os dados apresentados por Laura também indicam que a introdução do moto app contribuiu para a redução de acidentes em algumas cidades; em Fortaleza, por exemplo, houve uma queda de 40% nos incidentes desde que o serviço começou a operar. Essa evidência contrabalança a premissa de que mais motos levariam a mais acidentes.
Além disso, o impacto social do moto app é significativo no país, atendendo atualmente mais de 20 milhões de usuários e proporcionando renda a 800 mil motociclistas parceiros. A regulamentação do setor poderia ainda levar à formalização de motoristas, uma vez que cerca de 53,8% dos motociclistas no Brasil não possuem habilitação, conforme dados da Secretaria Nacional de Trânsito.
As normas de registro e segurança que os aplicativos exigem poderiam fortalecer a condução correta e segura dos motociclistas no país. Laura ressalta que a suspensão do serviço em São Paulo privou os cidadãos de uma opção acessível de transporte e causou prejuízos a muitos trabalhadores que dependem dessa renda.
‘Estamos perdendo uma valiosa ferramenta de integração urbana que conecta áreas distantes aos sistemas de transporte coletivo’, disse. ‘Essa proibição representa uma oportunidade desperdiçada de construir uma regulamentação moderna que se baseia em evidências em vez de restrições sem fundamento’. Para ela, ‘tentar banir as motos não é a solução adequada para enfrentar os problemas de mobilidade urbana’. A discussão sobre a regulamentação do moto app em São Paulo é crucial e reflete um debate maior sobre como modernizar o transporte na cidade.