Ciência

Cientistas Desvendam o Mistério do 'Desaparecimento' dos Tatuís nas Praias Brasileiras!

2025-03-30

Autor: Fernanda

Você sabe o que está acontecendo com os tatuís que costumavam encher as praias brasileiras? A situação é grave: os números desses crustáceos amigáveis estão em queda livre, e em algumas áreas, já não conseguimos mais encontrá-los. Pesquisadores das universidades UERJ e UNIRIO, além da Fiocruz, estão a todo vapor investigando esse fenômeno alarmante, com suporte da FAPERJ.

A pesquisadora Rayane Abude, do Laboratório de Ecologia Marinha da UNIRIO, traz à tona a questão em um contexto global: 'As espécies marinhas estão sendo impactadas de forma severa pelas mudanças do Antropoceno – a era em que a humanidade transforma o planeta'. Mas afinal, cadê os tatuís? Será que eles não chegam mais à praia? Ou talvez eles cheguem, mas não sobrevivam? Esta é a soma de questões que a pesquisa busca esclarecer, tanto por espécie quanto por local.

O foco da pesquisa

O foco dos estudos está na espécie Emerita brasiliensis, a mais comum no litoral brasileiro. Historicamente, a Praia de Fora, na Zona Sul do Rio, vem sendo uma das mais estudadas desde a década de 90, e a presença dos tatuís nunca foi tão baixa quanto nos últimos anos. Além disso, Rayane fez uma revisão extensa da literatura científica e encontrou registros de diminuição de tatuís em lugares como os Estados Unidos, México, Irã, Uruguai e Peru – uma tendência preocupante que se espalha pelo continente.

Hipóteses da pesquisa

No cerne da pesquisa está a hipótese de que algumas praias funcionam como 'fontes', locais de nascimento e desenvolvimento dos crustáceos, enquanto outras atuam como 'sumidouros', onde eles chegam, mas não conseguem sobreviver. 'As fêmeas colocam ovos que levam entre 10 e 19 dias para se desenvolver. Quando eclodem, liberam larvas que permanecem no ambiente marinho por 2 a 4 meses antes de retornarem à praia. Um dos mistérios ainda a ser revelado é se elas retornam à mesma praia ou a outras', comenta Rayane, que está utilizando marcadores genéticos para encontrar respostas.

Resultados dos estudos

Em um levantamento de 189 fêmeas coletadas na Praia de Fora ao longo de um ano, a fecundidade média foi de 5.300 ovos por fêmea. Contudo, a mortalidade é altíssima: menos de 1% dos ovos conseguem se transformar em novos indivíduos, com perdas significativas durante o desenvolvimento embrionário e dispersão das larvas.

Os poucos tatuís que sobrevivem entram na fase de 'recrutas' – jovens que possuem carapaças frágeis e se enterram na areia, especialmente na região das ondas, vulneráveis ao pisoteio em praias lotadas. Estima-se que praias menos frequentadas apresentam uma maior densidade de tatuís, sugerindo que a pressão humana é um fator crítico na sua sobrevivência.

Impacto ambiental

A qualidade da água também desempenha um papel crucial! Os tatuís se alimentam de micropartículas orgânicas, e a poluição proveniente de rios e drenagens que desembocam nas praias pode ser fatal. Rayane alerta: 'Contaminantes e poluentes têm um impacto devastador sobre estas espécies, resultando em altos índices de mortalidade'.

Mas o que isso tudo significa? O desaparecimento dos tatuís é mais do que apenas uma má notícia para os amantes das praias; eles são bioindicadores da saúde ambiental e sua ausência é um sinal alarmante de que a qualidade do ecossistema está comprometida. Ficar atento aos tatuís pode ser a chave para compreender a saúde de nossas praias.