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CK Hutchison desiste de venda de portos no Canal do Panamá em meio a pressões da China

2025-03-29

Autor: Maria

(Reuters) – A CK Hutchison, uma poderosa empresa de Hong Kong, anunciou que não fechará o acordo para vender suas operações portuárias próximas ao Canal do Panamá para um consórcio liderado pela BlackRock. Essa decisão veio à tona em meio a crescentes pressões do governo chinês.

O regulador do mercado da China irá iniciar uma revisão antitruste sobre a transação, garantindo que a legislação que protege a concorrência justa e o interesse público seja mantida, conforme comunicado publicado em sua conta oficial no WeChat.

O conglomerado, sob a liderança do bilionário Li Ka-shing, havia concordado em vender a maior parte de seu negócio global de portos, avaliado em impressionantes US$ 22,8 bilhões, incluindo ativos na crucial região do Canal do Panamá, com a assinatura da documentação prevista inicialmente para 2 de abril. Entretanto, fontes próximas ao caso revelaram que a assinatura não ocorrerá por 'motivos óbvios'.

Embora a transação não tenha sido finalizada, fontes afirmaram que as negociações continuam, sem um prazo final estipulado. O consórcio está numa negociação exclusiva com a CK Hutchison por um período de 145 dias, envolvendo um total de 43 portos em 23 países, o que ilustra a importância estratégica dessa venda.

As pressões de Pequim sobre a CK Hutchison podem ter raízes em preocupações geopolíticas, já que a operação dos portos no Canal do Panamá tem implicações significativas para o comércio global. Essa movimentação em particular poderia gerar mais de US$ 19 bilhões para a empresa e colocar a política em um cenário ainda mais delicado.

É interessante notar que o canal é considerado um ponto estratégico não apenas para o comércio das Américas, mas para o mundo inteiro, podendo se tornar um campo de batalha para influências econômicas e políticas entre as potências.

Na bolsa de valores dos EUA, os principais índices enfrentaram uma queda significativa, com o Dow Jones caindo 1,7% na última sexta-feira, possivelmente refletindo a incerteza do mercado decorrente dessa e de outras transações incertas pelo mundo.