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Como 'Beleza Fatal' se Tornou um Fenômeno com Nudez, Memes e a Vilã Diva dos Gays

2025-03-21

Autor: Lucas

De cachorrinho de estimação a diva provocadora, vestindo roupas sexy e ofendendo a todos, Lola é a estrela da novela "Beleza Fatal". Como uma verdadeira vilã, ela é manipuladora, assassina e mentirosa, conquistando o coração do público — ou seria pelo choque que provoca? Seu sucesso reflete a nova era das novelas pensadas para o streaming.

Embora o alcance de um serviço pago como a Max não supere o da televisão aberta, "Beleza Fatal" transformou-se em um verdadeiro fenômeno pop, gerando uma onda de memes, bordões e até fantasias para o Carnaval, tornando-se um assunto quente nas redes sociais. A novela superou "Mania de Você", que também estava na reta final nas noites da Globo, e Lola foi três vezes mais mencionada no Google em comparação à vilã Mavi.

Eventos nas principais cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, celebram o episódio final da trama, prevendo uma audiência que promete superar a de novelas passadas. A última vez que uma novela atraiu tanta atenção foi há mais de dez anos, com "Amor à Vida", que quebrou tabus ao apresentar o primeiro beijo gay na Globo.

Em São Paulo, boates como Zig e Toca Uma pra Mim estão entre os locais que promovem festas temáticas para os fãs. O público jovem, que muitas vezes não se identifica com o formato tradicional das novelas, se viu atraído pelo enredo ousado e personagens arrojados, mostrando que diversos públicos podem se conectar com a nova narrativa.

Com apenas 40 capítulos, "Beleza Fatal" foi produzida integralmente antes da estreia, mantendo a agilidade das séries de streaming, onde a Max afirma ver um aumento de 30% no tempo que os assinantes dedicam à novela a cada semana. A trama aborda temas de interesse para o público LGBTQIA+, inspirando identificações das lésbicas, que se divertem com as escapadas românticas de Lola, e dos gays, que a proclamam uma nova diva das vilãs.

Lola desafia o politicamente correto: suas piadas, sua irreverência e sua capacidade de humilhar os outros se tornaram parte de sua icônica personalidade. Isso é algo que muitos telespectadores sentem falta nas produções atuais. A liberdade que o streaming proporciona permitiu que a obra fugisse de amarras que limitam a criação de conteúdo mais ousado na TV tradicional.

Monica Pimentel, vice-presidente de conteúdo da Warner Bros. Discovery, afirma que "Beleza Fatal" mostra um mercado audiovisual mais receptivo a narrativas corajosas. Raphael Montes, o autor, conseguiu renovar o gênero com personagens críveis e uma narrativa sem moralismo, tornando a vilã ainda mais fascinante.

A trama também se destaca por sua representação da sexualidade. Lola, bissexual, representa uma abordagem ousada em um ambiente onde protagonistas não heterossexuais são raros. A nudez explícita, com cenas que desafiam a normatividade, mantém o público atento e envolvido, abrindo espaço para diálogos necessários sobre sexualidade e desejo na sociedade atual.

Adriana Esteves, atriz de "Mania de Você", comparou a novela a "The White Lotus", capturando a essência do drama e da sedução que permeiam a trama. A competição entre TV e streaming se intensifica, e "Beleza Fatal" pode muito bem ser o ponto de virada que redefine o que esperamos das novelas brasileiras.

Com isso, a novela inflama a batalha pelo público, enquanto canais de TV e plataformas de streaming buscam novas formas de engajar com o espectador. O resultado é um precedente interessante para o futuro da produção audiovisual no país.