
Educação de Jovens e Adultos Agora Inclui Formação em Tecnologias Digitais - Uma Revolução Educacional!
2025-03-23
Autor: João
A partir deste mês, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil passou por uma transformação significativa: habilidades digitais como enviar mensagens em redes sociais, identificar golpes online, usar aplicativos bancários e até criar perfis em apps de namoro estão agora no currículo. Esse avanço tem como objetivo preparar alfabetizadores para um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia, com um foco especial na educação midiática.
Daniele Dias, professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ressalta a importância de explorar essas tecnologias de forma crítica. “Defendemos que a tecnologia deve ser vista não como uma solução mágica, mas como uma ferramenta que pode ajudar a facilitar a vida dos indivíduos”, afirma.
O programa de Formação de Alfabetizadores e Docentes dos Anos Iniciais do ensino fundamental é uma parceria da UFPB com o Ministério da Educação (MEC) e a Cátedra Unesco de EJA. Este curso nacional, que conta com 1,3 mil formadores regionais, visa disseminar esses conhecimentos nas redes de ensino até 2026. Essa iniciativa é parte do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na EJA, lançado no ano passado, com o objetivo de dar maior visibilidade à educação de jovens, adultos e idosos.
Com 11,4 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais sem habilidades de leitura e escrita simples, segundo o IBGE, essa formação se torna ainda mais essencial. A alfabetização digital é vital para a inclusão total na sociedade contemporânea.
Daniele Dias também menciona um aspecto curioso: “Essas pessoas muitas vezes precisam de ajuda até com suas vidas afetivas. Elas podem não saber usar aplicativos como Tinder e acabam mandando áudios no WhatsApp para se comunicarem. Precisamos ajudá-las a se integrar sem expor suas dificuldades com a escrita”. Além da comunicação, dominar a tecnologia é crucial para evitar fraudes e crimes virtuais, que afetam especialmente as populações mais vulneráveis.
Desafios e Oportunidades na EJA
A EJA foi oficialmente reconhecida como uma modalidade educacional no Brasil na década de 1940, oferecendo oportunidades para aqueles que não puderam concluir seus estudos na idade certa. A estrutura da EJA é dividida em duas etapas: o ensino fundamental (1º ao 9º ano) e o ensino médio, com prazos distintos para a conclusão.
Infelizmente, a EJA enfrenta desafios significativos. O número de alunos caiu de 3,2 milhões em 2019 para 2,5 milhões em 2023, e o investimento na modalidade também despencou de R$ 1,4 bilhão para meros R$ 38,9 milhões em 2022. Para reverter este quadro, os novos métodos de ensino estão sendo implantados, focando na experiência prévia dos alunos, seguindo a filosofia de Paulo Freire.
Marco Antonio de Souza, auxiliar técnico pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos (SP), destaca as dificuldades enfrentadas pelos educadores. Muitos professores que atuam na EJA não têm formação específica e apenas tentam complementar suas horas de trabalho, sem estarem preparados para a diversidade desse público.
Em Teixeira, na Paraíba, a professora Luzia Nadja Carneiro enfatiza a necessidade de formação contínua para educadores. “Esse é um momento histórico para redirecionar o olhar para a EJA, proporcionando uma educação de qualidade que realmente transforma vidas através do conhecimento”. Com os desafios existentes, a esperança é que iniciativas como estas tragam um futuro melhor para a educação de jovens e adultos no Brasil!