
‘Ele vai carregar pro resto da vida que tentou me matar’, diz Papini após julgamento de agressor
2025-03-28
Autor: Lucas
Em um caso marcado pela violência e pela injustiça, o médico Henrique Papini confirmou sua angustiante luta por justiça. Foi em setembro de 2016, no agitado bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, que Papini, então estudante, foi brutalmente agredido pelo engenheiro Rafael Bicalho, resultando em um estado crítico de saúde que o levou ao CTI. Recentemente, após longos oito anos de espera, Bicalho foi finalmente condenado a cinco anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto, sem direito a recorrer em liberdade. A sentença foi proferida pelo juiz Luiz Felipe Sampaio Aranha no 3º Tribunal do Júri.
Em entrevista ao Estado de Minas, Papini expressou seu alívio ao saber que Bicalho não saiu impune, mas também compartilhou a frustração com a leveza da pena. "Ele vai carregar para o resto da vida que tentou me matar, está provado. Porém, o reconhecimento do privilégio e a não aplicação de qualificadores foi uma decisão que se afasta da verdade do ocorrido", desabafou, enfatizando as sequelas permanentes que a agressão lhe deixou.
As marcas da violência são visíveis. Papini agora vive com paralisia facial, surdez em um ouvido, perda de olfato e paladar e ainda enfrenta problemas de visão e equilíbrio. O médico refletiu sobre a gravidade da situação, afirmando que as sequelas são um testemunho da intenção fatal que Bicalho tinha.
Durante a audiência, Papini revelou estar ansioso, temendo a possibilidade de Bicalho ser inocentado. "Foi angustiante, a alegria misturada com tensão e ansiedade me acompanhou", disse. Uma situação inesperada ocorreu quando o advogado de Bicalho se aproximou de Papini após o julgamento, pedindo perdão em nome de seu cliente. Papini, no entanto, descartou a possibilidade de perdão, declarando: "Ele teve oito anos para se desculpar e não o fez. Seu pedido pareceu um teatro a mim".
O crime, que levou à condenação de Rafael Bicalho, foi descrito pelo Ministério Público de Minas Gerais como uma tentativa de homicídio, onde o agressor e seus amigos tentaram matar Papini com socos e chutes. No entanto, apenas Bicalho foi mantido na acusação após os outros se retirarem do caso. Papini relatou que havia sofrido intimidações anteriormente, pois estava saindo com a ex-namorada de Bicalho, o que teria motivado a agressão.
Surpreendentemente, Bicalho, em sua defesa, alegou que se aproximou de Papini para discutir a relação com sua ex-namorada, mas a conversa rapidamente escalou para a agressão. Ele alegou que se deu conta da gravidade da situação apenas após as agressões, um testemunho que Papini qualificou como “mentiras jogadas para tentar sensibilizar os jurados”.
Após o julgamento, Bicalho foi levado algemado, enquanto tanto o Ministério Público quanto a defesa apresentaram recursos. O caso ainda deve ter desdobramentos, já que Papini e sua defesa estão determinados a aumentar a pena e garantir que a justiça seja feita.
Essa situação ressalta a importância de se debater a violência e seus desdobramentos, além de reforçar a luta por um sistema judiciário que respeite a vida e a integridade humana.