Nação

Gleisi Hoffmann processa deputado Gustavo Gayer por ofensas; Fux será o relator

2025-03-20

Autor: Mariana

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, apresentou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) por injúria e difamação. O relator do caso será o ministro Luiz Fux.

A queixa foi motivada por comentários machistas feitos por Gayer nas redes sociais, onde ele insinuou que o presidente Lula estaria oferecendo Gleisi a líderes do Congresso, como Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Durante sua provocação, Gayer comparou Lula a um 'cafetão', ao afirmar que ele estaria 'oferecendo uma garota de programa'. Essa linguagem depreciativa não apenas ataca a honra da ministra, mas também agrava o clima de violência política e misoginia existente no ambiente parlamentar.

No documento jurídico, a defesa de Gleisi argumenta que a conduta do parlamentar "não apenas fere a ética e o respeito de qualquer cidadão, mas também agride a dignidade de uma mulher em um cargo público relevante". Além disso, a defesa destaca que a ação de Gayer, por ser realizada por um parlamentar com uma presença significativa nas redes sociais, pode intensificar a normalização de ataques a figuras de autoridade feminina, comprometendo o Estado Democrático de Direito.

O Partido dos Trabalhadores (PT) também tomou medidas, acionando o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra Gayer, alegando que suas postagens representam uma quebra de decoro parlamentar. O documento enviado pelo partido, ligado ao presidente interino, senador Humberto Costa, descreve a conduta de Gayer como "descontrolada e insana".

Em resposta aos ataques, Gleisi defendeu Lula, ressaltando que ele é um dos líderes que mais "empoderou mulheres" no Brasil, por meio de indicações em cargos de destaque, dentro e fora do governo. Ela enfatizou que ações carregadas de misoginia não têm lugar em um espaço que deveria promover a igualdade.

A ministra também desferiu críticas a adversários políticos, mencionando que ela e outras mulheres têm sido alvo de "ataques canalhas de bolsonaristas" e reafirmou a importância da dignidade e do respeito nas discussões políticas. Gleisi questionou a moral dos ataques, recordando as agressões verbais de Bolsonaro contra mulheres durante sua presidência.

Diante desse cenário, o episódio ressalta não apenas a necessidade de responsabilização em situações de misoginia na política, mas também a importância de se estabelecer um diálogo respeitoso e igualitário entre todos os membros do governo e do Legislativo.