
Interpol e EUA Contestam Ação de Moraes contra Allan dos Santos
2025-03-23
Autor: Matheus
Introdução
A Interpol e o Departamento de Estado dos Estados Unidos rechaçaram os argumentos do ministro do STF, Alexandre de Moraes, em relação às acusações contra o jornalista Allan dos Santos, de 41 anos. Eles afirmam que as provas apresentadas por Moraes não são suficientes para justificar um pedido de extradição ou para tornar Allan um foragido internacional.
Contexto
Allan dos Santos, que se tornou um importante crítico do governo atual e um apoiador fervoroso do ex-presidente Jair Bolsonaro, mudou-se para os EUA em 2020. Em outubro de 2021, após um ano de inquéritos realizados por Moraes, o ministro decreta sua prisão preventiva, alegando que Santos estava envolvido em crimes como lavagem de dinheiro e organização criminosa, com o objetivo de desestabilizar a democracia brasileira.
Negativa da Interpol
O que causou estranheza foi a negativa da Interpol em emitir uma 'difusão vermelha' – notificação que alertaria as polícias de todos os países sobre a busca por Santos – por suposta falta de informações claras sobre as acusações.
Para que uma difusão vermelha seja concedida, é imperativo que o país solicitante prove a urgência e clareza das acusações. O Brasil se viu em uma situação delicada, onde, apesar das solicitações, Santos não foi incluído na lista de foragidos internacionais.
Suspeitas de Motivações Políticas
A resistência da Interpol levantou suspeitas de que questões políticas poderiam estar envolvidas, como indicado por um juiz que trabalhou com Moraes. O próprio Moraes teve dificuldades em fornecer documentação adicional que comprovasse as alegações de crimes de Santos, gerando dúvidas sobre a seriedade das acusações.
Declaração do Departamento de Estado dos EUA
Mais complicações surgiram quando o Departamento de Estado dos EUA se manifestou, ressaltando a falta de evidências necessárias para prosseguir com uma extradição. Eles solicitaram esclarecimentos sobre as ações de Allan dos Santos, questionando a natureza dos alegados crimes e a definição de organização criminosa.
Atividades de Allan dos Santos
Para entender melhor a situação, é importante mencionar que Allan dos Santos foi o fundador do site Terça Livre e comandava um canal no YouTube que se tornou bastante influente entre os apoiadores do ex-presidente. Após ter seu canal original banido por políticas de desinformação do YouTube, ele criou novas plataformas para continuar sua atividade como influenciador e comentarista político.
Defesa de Allan dos Santos
Com o desenrolar da situação, a defesa de Allan dos Santos tem se mantido firme, afirmando que ele se encontra nos EUA de forma legal e que não há fundamento nas acusações que o consideram foragido. O advogado de Santos, Renor Oliver, enfatiza que o visto do jornalista está em dia e se opõe às medidas tomadas por Moraes, que, segundo ele, visam intimidar e constranger.
Censura e Liberdade de Expressão
Além disso, a batalha não se limita às questões legais, com as redes sociais de Santos sofrendo constantes bloqueios e limitações impostas por Moraes, que também determinou o bloqueio da plataforma Rumble, onde Santos continuou a realizar suas transmissões e scripts. Isso gerou um embate legal entre a plataforma e as ordens da Justiça brasileira.
Conclusão
É um cenário complexo que levanta não apenas questões sobre liberdade de expressão e a legalidade das ações de Moraes, mas também sobre como a política e a justiça se entrelaçam em um contexto em que a comunicação digital desempenha um papel crucial. A situação de Allan dos Santos continua a gerar debates acalorados sobre liberdade, censura e as responsabilidades que vêm com o uso da informação.