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Mercados globais em colapso: ouro alcança nova marca recorde devido à escalada protecionista de Trump

2025-03-31

Autor: Matheus

As bolsas de valores ao redor do mundo sofreram quedas drásticas nesta segunda-feira (31), enquanto o ouro atingiu um novo recorde histórico. Esse cenário alarmante reflete a crescente tensão gerada pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de impor tarifas comerciais generalizadas, o que pode desencadear uma guerra comercial global com impactos profundos na economia.

Durante uma coletiva de imprensa a bordo do Air Force One, Trump declarou que as tarifas norte-americanas afetarão "praticamente todos os países", desapontando aqueles que esperavam que as medidas protecionistas se limitassem apenas a nações com desequilíbrios comerciais significativos. O economista-chefe da Forvis Mazars, George Lagarias, advertiu: "A incerteza gerada pela inconsistência nas políticas do governo Trump é o que mais preocupa o mercado. Os investidores não gostam de incertezas, isso gera volatilidade."

Bolsas em queda e o ouro disparando

A resposta imediata dos mercados foi dramática. O índice europeu STOXX 600 caiu 1%, alcançando seu ponto mais baixo em quase dois meses, seguindo a tendência de perdas em bolsas de Frankfurt, Londres e Paris, cuja queda variou de 0,8% a 1%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 caíram 0,7%, enquanto o Nasdaq viu uma perda de 1,1%.

O impacto foi ainda mais significativo na Ásia. O índice Nikkei do Japão despencou 4,1%, influenciado pelas ações do setor automotivo, que enfrentam o risco de tarifas de 25% sobre veículos importados. O índice MSCI para a região Ásia-Pacífico (exceto Japão) também apresentou uma queda de 1,9%.

Diante das crescentes tensões, muitos investidores recorreram a ativos considerados mais seguros. Os títulos soberanos se valorizaram, o iene japonês se fortaleceu e o ouro disparou, atingindo a impressionante marca de US$ 3.128,06 por onça, um marco que sinaliza a busca por proteção em tempos de crise.

Europa se prepara para reação, mas com disposição para diálogo

A preocupação com a escalada protecionista foi acentuada pelas declarações do chanceler alemão Olaf Scholz, que indicou que a União Europeia está disposta a responder com tarifas próprias, mas também está elaborando uma lista de concessões a ser apresentada a Washington. Essa estratégia revela o dilema da UE entre adotar uma postura firme e evitar um confronto que poderia prejudicar ainda mais a economia europeia, que já enfrenta desafios significativos.

Ajay Rajadhyaksha, chefe do mercado de juros do Barclays, não escondeu sua apreensão: "Estamos realmente preocupados com a segurança dos ativos de risco pela primeira vez em anos", disse ele. "Caso o tumulto nas políticas e as guerras comerciais se intensifiquem, o risco de recessão nas principais economias do mundo se torna uma possibilidade palpável. Neste momento, preferimos renda fixa de qualidade em vez de investir em ações globais, uma mudança de estratégia significativa."

Em um cenário em rápida evolução, os investidores devem permanecer vigilantes e atentos às novidades que qualquer declaração política ou medida econômica possa desencadear. Essa instabilidade poderia redefinir os rumos da economia global nos próximos meses, tornando o mercado de ações um campo de batalha tenso e incerto.