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Opinião | A condenação de Marine Le Pen é uma derrota para a Rússia de Putin

2025-03-31

Autor: Carolina

O Rassemblement National, o maior partido da direita radical na França, nem sempre foi conhecido por esse nome. Desde sua fundação em 1972 como Front National, o partido passou por várias mudanças, especialmente sob a liderança de Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, que implementou um rebranding significativo em 2018. Assim como na direita radical brasileira, a direita radical francesa tem raízes familiares profundas.

No entanto, Marine Le Pen enfrenta sérios problemas legais. Recentemente, ela foi condenada a quatro anos de prisão por desvio de dinheiro público, com dois deles em regime domiciliar e usando tornozeleira eletrônica, além de ter que pagar uma multa de 100 mil euros. Essa condenação a torna inelegível para cargos públicos por cinco anos, o que representa um duro golpe em suas aspirações políticas futuras, especialmente em relação à sua possível candidatura nas eleições presidenciais de 2027.

As investigações contra Le Pen começaram em 2014, quando assistentes parlamentares foram acusados de receber salários da União Europeia enquanto trabalhavam, na verdade, para o Front National, configurando uma fraude com assistentes fictícios. Estima-se que o prejuízo totalize 2,9 milhões de euros para os contribuintes europeus, com Le Pen sendo considerada uma figura central nesse esquema. Juntamente com ela, outros oito eurodeputados e 12 assessores do partido também foram condenados.

A situação é ainda mais alarmante para o Rassemblement National, que já enfrenta sérios problemas financeiros. Em 2014, o partido contraiu um empréstimo de 9,4 milhões de euros de um banco russo próximo ao Kremlin para financiar sua campanha nas eleições regionais de 2015, alegando que instituições europeias não estavam dispostas a ajudá-los financeiramente. Essa conexão financeira tem feito muitos observadores especularem sobre a influência russa na política francesa, especialmente considerando as declarações antigas de Jean-Marie Le Pen, que defendeu a anexação da Crimeia pela Rússia como um ato legítimo.

Marine Le Pen também expressou simpatia por Putin, afirmando em várias ocasiões que compartilha valores semelhantes com o líder russo, como o patriotismo e a defesa da soberania. Essa relação se torna ainda mais relevante quando observamos o apoio que o Rassemblement National tem recebido da Rússia ao longo dos anos, com o partido atuando como um canal de comunicação para o Kremlin, especialmente na tentativa de difundir a agenda política de Moscou na Europa.

Em 2023, um inquérito do parlamento francês revelou as profundezas dessa relação, considerando o partido como uma extensão da propaganda russa na Europa. Durante um debate presidencial de 2022, Emmanuel Macron provocou Le Pen, afirmando que suas conversas com Putin não eram com um líder estrangeiro, mas com seu "banqueiro".

Recentemente, líderes da direita populista europeia, muitos dos quais têm ligações diretas com o Kremlin, protestaram contra a condenação de Le Pen. Em Moscou, o porta-voz de Putin denunciou o julgamento como uma violação das normas democráticas. A condenação não apenas prejudica Le Pen, mas também abala a confiança da Rússia na influência que exerce sobre a política francesa e europeia.

Enquanto Marine Le Pen tenta navegar por essas águas turbulentas, o futuro do Rassemblement National e sua relação com a Rússia permanecem incertos. A condenação é um evento crucial não apenas para a política interna da França, mas também para a dinâmica do populismo eurocético que mantém um apoio firme ao Kremlin. Essa história ainda está longe de chegar ao fim.