
Presidente da ANJ denuncia assédio a jornalista como 'método mafioso' e alerta para a liberdade de expressão
2025-03-21
Autor: Carolina
Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), classificou de "método absolutamente mafioso" o assédio enfrentado pelo jornalista e colunista do UOL, Thiago Herdy. O caso veio à tona quando Herdy foi seguido e teve dados pessoais, como informações fiscais e endereços, revelados em um texto anônimo publicado em um site da plataforma Wix.
A publicação apócrifa traz relatos sobre a rotina do repórter, incluindo fotos de seus deslocamentos pela cidade, além de ataques diretos às reportagens que Herdy tem feito sobre possíveis irregularidades em contratos emergenciais da Prefeitura de São Paulo, na administração de Ricardo Nunes (MDB).
Rech comparou a situação de Herdy a ataques semelhantes sofridos por jornalistas europeus que reportavam sobre o presidente russo, Vladimir Putin, há cerca de uma década. Ele alertou que esse tipo de iniciativa visa intimidar investigadores e destruir a reputação e o patrimônio pessoal e profissional dos jornalistas. "É uma violência absurda, inaceitável", enfatizou o presidente da ANJ em entrevista ao UOL.
Além da divulgação de dados pessoais, Herdy também enfrentou uma campanha difamatória com a propagação de fake news. O texto anônimo insinuava que o colunista tinha uma agenda oculta, afirmando que "Thiago Herdy tinha uma missão a cumprir. Seu alvo? A gestão municipal de São Paulo."
Rech atribuiu os ataques a um clima de polarização política e ao aumento da divulgação de notícias falsas, onde o objetivo é deslegitimar as investigações ao atacar a credibilidade do mensageiro, que neste caso é Herdy. Segundo ele, isso resulta em um prejuízo para a sociedade, que perde o acesso a informações verdadeiras e livres.
Diversas entidades que defendem a liberdade de expressão e o combate à corrupção também repudiaram as perseguições e a exposição dos dados pessoais do jornalista.
O cenário de ataques a jornalistas no Brasil, segundo Rech, viu uma queda durante o governo Lula (PT), se comparado à gestão Bolsonaro (2018-2022), onde a violência contra a imprensa havia se tornado comum. No entanto, ele ressaltou que ainda faltam ações efetivas do atual governo para combater esses atos. O presidente da ANJ recordou que, no início da administração petista, um observatório de violência contra jornalistas foi criado para monitorar esse tipo de agressão, mas atualmente se encontra estagnado e sem resultados significativos.
Rech destacou que, embora o Brasil tenha obtido avanços significativos em liberdade de expressão, como uma melhora no Índice Chapultepec da Sociedade Interamericana de Imprensa, ainda há muito a ser feito. O país subiu oito posições e alcançou o 6º lugar entre as nações analisadas, mas ainda não atingiu uma plena liberdade de expressão.
Sobre as reportagens de Thiago Herdy, um estudo recente do UOL revelou que 223 dos 307 contratos de obras emergenciais da Prefeitura de São Paulo, na primeira gestão de Ricardo Nunes, apresentaram sinais de combinação entre as empresas contratadas. Investigations também revelaram que contratos sem licitação totalizaram quase R$ 750 milhões. O que levanta a dúvida sobre a legitimidade desses contratos e a relação entre o prefeito e as empresas contratadas. O Ministério Público de São Paulo já iniciou uma investigação sobre as possíveis irregularidades.
Esses eventos ressaltam a necessidade urgente de proteger jornalistas e garantir a liberdade de expressão, um pilar essencial da democracia.