
Pressão sobre Galípolo cresce com a aquisição do Banco Master pelo BRB
2025-03-31
Autor: Fernanda
A recente compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) colocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sob intensa pressão política e do mercado financeiro. A transação, avaliada em bilhões e marcada por altos riscos, enfrenta desafios já vistos em aquisições passadas, como a do Panamericano pela Caixa e a do Votorantim pelo Banco do Brasil, todos com bancos públicos no papel de compradores, reacendendo debates sobre o papel do Estado no sistema financeiro.
A análise da aquisição está sob a responsabilidade do Banco Central e deve seguir os procedimentos estabelecidos pela Resolução 108, que prevê um prazo de até 360 dias para conclusão. Contudo, a expectativa é de que a decisão venha antes, dada a magnitude política e econômica do negócio. Estima-se que o Banco Master tenha emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, quase metade do montante total do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O nome de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apareceu na pauta devido a suas práticas arriscadas, especialmente vinculadas a precatórios e CDBs com altos rendimentos. Essa movimentação gerou um clima de especulação e boatos, levando a assessoria do Banco Central a negar um suposto encontro entre Galípolo e líderes de grandes bancos que discutiriam a transação.
Em relação às exigências para a conclusão da compra, Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, confirmou que o contrato foi assinado, mas o fechamento depende de cinco condicionantes, incluindo a realização de auditorias satisfatórias e a aprovação das autoridades competentes.
A movimentação do BRB também provocou reações negativas entre figuras políticas e representantes do setor bancário. Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e aliado do governo atual, indicou que essa aquisição poderia ser um dos maiores escândalos do país, sugerindo problemas já identificados no Master. Enquanto isso, figuras do setor privado demonstraram preocupação com os novos modelos de negócios envolvidos.
Sob a pressão de todos os lados, Galípolo se vê em uma posição delicada. A operação representa não apenas um desafio de gestão, mas também um teste significativo para a sua liderança no Banco Central. O vazamento de informações antes do anúncio oficial foi interpretado como uma tentativa de solidificar a compra, aumentando as tensões no mercado.
Além disso, os impactos institucionais são profundos. A notícia da aquisição deixou funcionários do BRB e da Caixa, onde Costa iniciou sua carreira, alarmados. Costa planejou reuniões internas para aclarar a situação, refletindo a necessidade de uma comunicação estratégica em um momento turbulento.