
'Trabalho em progresso': EUA e Ucrânia em busca de um cessar-fogo, mas tensões persistem nas negociações
2025-03-11
Autor: Maria
Na última semana, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou seu "compromisso" com as negociações mediadas pelos Estados Unidos na Arábia Saudita, mesmo após declarações polarizadoras de Donald Trump sobre a Rússia. Durante estas conversas, a Ucrânia colocou a suspensão dos ataques aéreos e marítimos como uma condição essencial para o início de um cessar-fogo, mas um acordo depende do consentimento da Rússia, que por sua vez, busca garantias firmes de segurança antes de qualquer trégua.
Zelensky expressou preocupação de que uma pausa nas hostilidades sem garantias adequadas permitiria ao Kremlin reestruturar suas forças. O assessor presidencial, Sehriy Leschenko, sugeriu a possibilidade de um embargo mútuo a ataques no setor de energia como uma forma de iniciar a desescalada.
Um representante não identificado da delegação ucraniana comentou que as discussões estão fluindo normalmente e abrangem várias questões, incluindo a proposta de um cessar-fogo temporário. O chefe de Gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, descreveu o processo como "um trabalho em progresso", enquanto buscava garantir a paz para a Ucrânia.
Entretanto, a pressão dos Estados Unidos sobre a Ucrânia para ceder território controlado pela Rússia tem gerado discussões acaloradas. Estima-se que cerca de 20% do território da Ucrânia esteja sob ocupação russa, um preço que alguns consideram inevitável para pôr fim ao conflito.
Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, afirmou que tanto a Ucrânia quanto a Rússia precisarão fazer concessões difíceis se desejarem encerrar a guerra. Ele ressaltou que a conquista total da Ucrânia pela Rússia é um objetivo irrealizável, especialmente considerando os desafios logísticos e humanos que isso implicaria.
Enquanto isso, Tammy Bruce, porta-voz do Departamento de Estado, declarou-se otimista, sugerindo que acordos favoráveis poderiam estar no horizonte. A imprensa norte-americana também relatou que Steve Witkoff, um dos principais negociadores, deverá viajar a Moscou em breve para deliberar sobre um possível acordo, apesar da resistência do Kremlin quanto a cessar-fogos temporários.
Num recente incidente controverso, um encontro entre Trump e Zelensky na Casa Branca resultou em um desentendimento público que ficou registrado na memória política recente. Zelensky foi a Washington assinar um acordo inédito que permitiria aos Estados Unidos acesso a recursos minerais ucranianos valiosos, em troca de ajuda militar. No entanto, a reunião rapidamente se transformou em uma disputa, resultando na suspensão de auxílio militar crítico, segundo relatos de oficiais ucranianos.
A crise atual é ainda mais acentuada pelas voláteis ações militares no campo de batalha. Nesta terça-feira, enquanto as delegações se reuniam em Jeddah, a Ucrânia lançou um de seus maiores ataques de drones contra a Rússia desde o início da guerra, com 337 aeronaves interceptadas nas proximidades de Moscou. O impacto desses ataques, que causaram danos e vitimaram civis, servem como um cruel lembrete da guerra que continua a devastar a região.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, expressou preocupação de que esses ataques possam prejudicar ainda mais os esforços de paz, complicando o já tenso clima nas negociações. A urgência pela paz tornou-se maior do que nunca, com a Europa sendo instada a assumir um papel ativo para garantir a segurança do continente e especificamente apoiar a Ucrânia em tempos de crise.