
Trump Intensifica Ataque para Redefinir a América Latina e Limitar Influência Chinesa
2025-03-30
Autor: Mariana
Em uma manobra surpreendente dentro da diplomacia americana, o Secretário de Estado, Marco Rubio, fez duas viagens à América Latina em um curto intervalo de dois meses, algo inédito. Filho de cubanos exilados, Rubio reconheceu que o histórico dos Estados Unidos na região não é dos melhores, mas prometeu que essa vez seria diferente.
"Nossa abordagem é clara e objetiva", afirmou Rubio em um pronunciamento recente. "Cooperaremos com nossos parceiros regionais, fortaleceremos as cadeias de suprimentos vitais e impulsionaremos a segurança energética", proclamou. Ele destacou que os EUA não tolerarão mais ataques a sua soberania e que juntos combaterão o crime organizado que ameaça a segurança nacional. Além disso, alertou que um alinhamento com potências estrangeiras será inaceitável em solo americano.
Antes mesmo da ascensão de Trump, a falta de uma estratégia americana consolidada para a América Latina já havia sido tema de discussões entre os diplomatas brasileiros nos EUA. A equipe de Trump, na época, expressou a urgente necessidade de conter a expansão chinesa na região, reconhecendo que a crescente influência de Pequim se deve, em grande parte, à inércia dos EUA em propor uma agenda positiva.
A nova estratégia de Trump previu adotar medidas mais firmes, onde a ajuda aos aliados traria benefícios, mas aqueles que se opusessem aos interesses norte-americanos, especialmente nações menores, enfrentariam consequências severas.
EUA e o Realinhamento na América Latina
O realinhamento de nações como Argentina e Paraguai já está dando frutos. O novo governo argentino, sob Javier Milei, iniciou conversas para um acordo comercial que poderia abalar a estrutura do Mercosul, além de dialogar sobre colaboração em tecnologia espacial. O Paraguai vangloriou-se ao ser mencionado pela Casa Branca como exemplar por não se submeter às pressões da China e manter laços com Taiwan.
Durante sua visita à Costa Rica, Rubio novamente reforçou a aliança com um país que demonstra disposição em combater a influência chinesa na região. O chanceler costarriquenho, Arnoldo André, reiterou o compromisso do país como amigo e parceiro estratégico dos EUA, destacando que não há receios em relação a possíveis represálias do governo Trump.
A Costa Rica tem buscado se firmar como um centro de semicondutores, com mais de 400 empresas atuando no país, 70% delas dos EUA, e adotou leis que barram fornecedores de telecomunicações de países que não respeitam normas de segurança, o que exclui empresas chinesas.
Quanto à ajuda médica cubana no Caribe, Rubio opinou que os EUA poderiam preencher esse espaço. Fazendo referência ao trabalho forçado do regime cubano, ele ressaltou que a assistência deve ser prestada sem coerção.
Em sua visita à Guatemala, Rubio persuadiu o governo local a ampliar a capacidade de acolhimento de imigrantes, além de guatemaltecos deportados, relembrando a necessidade de impulsionar o desenvolvimento local para evitar a migração.
UM ACORDO POLÊMICO COM EL SALVADOR
O acordo firmado com El Salvador sob o presidente Nayib Bukele permite que o país se torne um destino para criminosos deportados dos EUA, um movimento que levanta preocupações sobre os direitos humanos e as condições nas prisões salvadorenhas. Uma recente visita da chefe de segurança interna dos EUA a uma dessas prisões gerou um alerta sobre as consequências da imigração ilegal para os EUA.
Embora o foco em segurança e na repressão ao crime organizado na região seja evidente, as implicações vão além. A parceria estratégica com o governo da Guiana também foi firmada para enviar uma mensagem firme ao governo de Nicolás Maduro, especialmente sobre os direitos de exploração da Exxon em suas áreas ricas em petróleo.
Rubio também criticou a Iniciativa Cinturão e Rota da China, destacando os perigos que essa política apresenta, como dívidas insustentáveis e infraestrutura deteriorada. Durante sua visita à Jamaica, embora não tenha conseguido persuadir o governo a cortar laços com Cuba, a pressão para reatar as relações com a ilha foi uma prioridade.
A VISITA AO PANAMÁ E AS PRESSÕES EM CURSO
As viagens de Rubio não foram apenas diplomáticas. Sua passagem pelo Panamá incluiu discussões sobre a rescisão de acordos com a China, uma ação contundente que resultou na primeira nação latino-americana a sair da Iniciativa Cinturão e Rota. Trump espera que esse exemplo provoque um efeito dominó entre outros países da região.
As tensões com o México e a Colômbia tambémEmergiú, com o governo colombiano sendo fortemente pressionado após a recusa de acolher deportados. As medidas de Trump são claras: usar a pressão econômica, comercial e diplomática como táticas de negociação.
As implicações de todas essas movimentações vão muito além das fronteiras nacionais, destacando a crescente rivalidade entre EUA e China na América Latina e evidenciando a necessidade de um alinhamento estratégico que possa evitar a expansão da influência chinesa na região.