
Ucrânia, IA e Big Tech: datacenters no Brasil se tornam a nova tendência
2025-03-21
Autor: Ana
O que está acontecendo?
Enquanto nomes como ChatGPT, Dall-E e Gemini dominam o mundo da inteligência artificial (IA), os datacenters são a infraestrutura vital que sustenta esses serviços. Eles não apenas armazenam dados, mas também realizam as operações mais complexas que dispositivos móveis não conseguem processar.
Embora a internet não tenha fronteiras, manter os dados mais próximos dos usuários é essencial para reduzir a latência em atividades críticas, como transmissões ao vivo e cirurgias remotas, onde cada milissegundo conta.
A crescente demanda pelo uso de IA é um dos principais motivos que fazem a indústria de datacenters no Brasil enxergar este momento como uma grande oportunidade. As empresas enfrentam uma capacidade limitada para atender todos os pedidos, levando a investimentos significativos no setor:
A Elea, operadora de nove datacenters, pretende investir quase R$ 1,7 bilhão (cerca de US$ 300 milhões) para modernizar suas instalações em São Paulo e adaptá-las para a era da IA.
A Tecto, que operará um datacenter em Fortaleza e possui planos de expansão com um investimento de R$ 5,7 bilhões (US$ 1 bilhão), lançará o Mega Lobster, que terá capacidade de 20 Megawatts.
A Scala também está fazendo barulho, com a proposta de criar uma "cidade dos datacenters" com um investimento inicial de R$ 3 bilhões, podendo expandir sua capacidade para até 4.750 MW, um projeto que custará R$ 500 bilhões.
No Ceará, a Casa dos Ventos, empresa voltada para energia renovável, destinará R$ 50 bilhões a um datacenter com capacidade de 876 MW.
Internacionalmente, a alemã DE-CIX, maior operadora de pontos de troca de tráfego do mundo, ingressou recentemente no Brasil, abrindo novos pontos de interconexão no Rio de Janeiro e em São Paulo. Essa infraestrutura é crucial para otimizar o tráfego de dados entre provedores de internet e redes de conteúdo.
Em sua visita a São Paulo, Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, enfatizou a importância de diminuir a latência, que atualmente é de 65 milissegundos para serviços como a Netflix, idealmente reduzida para 25 ms em aplicações críticas como transmissões ao vivo.
A atual dinâmica do mercado brasileiro se transformou significativamente nos últimos dois anos, com o aumento do interesse em datacenters. Com a presença crescente de provedores internacionais, o Brasil se tornou um ponto estratégico para ofertas de serviços, desde o tráfego entre nuvens até aplicações multidimensionais como Office 365 da Microsoft.
Por que isso é relevante?
A indústria de datacenters se considera em um momento único, alimentada por dois fatores principais:
1. **Demanda aquecida**: Serviços de nuvem proporcionados por gigantes como Amazon, Google e Microsoft estão em alta, com 70% dos aplicativos na nuvem que os brasileiros utilizam localizados fora do Brasil.
2. **Fatores estruturais**: A matriz energética brasileira, com forte presença de energia renovável, e a situação de incertezas energéticas na Europa devido à guerra da Ucrânia, tornam o Brasil uma opção viável para hosts de datacenters.
A transformação digital no Brasil também é notável, com estima-se que apenas 30% das empresas brasileiras hospedam seus dados em datacenters de terceiros, evidenciando uma vasta oportunidade de crescimento.
Diretores de empresas da área destacam que o Brasil tem potencial para ser um recebedor significativo de investimentos para atender essa demanda crescente por energia e serviços de armazenamento.
Enquanto os líderes da indústria concordam que é um momento de grandes oportunidades, o que determina o futuro será a intensidade com que essas mudanças ocorrerão. O Brasil está a caminho de se tornar um dos maiores centros de dados do mundo, e as apostas estão altíssimas!