
Argentina enfrenta tensão antes de possível desvalorização e acordo com o FMI
2025-03-28
Autor: Mariana
Julho de 2023 foi um mês marcante para a economia argentina, onde o peso se destacou como a moeda mais valorizada em relação ao dólar na região. No entanto, a atual instabilidade econômica está gerando um clima de insegurança, com numerosos argentinos optando por se refugiar no dólar, forçando o Banco Central da República Argentina (BCRA) a injetar cerca de US$ 1,3 bilhão para estabilizar as cotações oficiais e paralelas da moeda.
O governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, está tentando conter uma potencial crise com o anúncio de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que promete um desembolso de US$ 20 bilhões. Contudo, o clima de tensão é palpável. Aumento dos protestos sociais, impulsionados por aposentados e torcedores de futebol, aumenta a pressão sobre Milei, que já se diz vítima de tentativas de golpe por parte de seus opositores.
A cotação do dólar blue, que antes estava em torno de 1.260 pesos no início do mês, saltou para 1.300 pesos nesta semana, superando em mais de 1% as expectativas do Ministério da Economia. Essa situação fez com que os argentinos começassem a comprar dólares em grupos de WhatsApp, com transações que ocorrem em poucos minutos. Aqueles que compraram dólares a preços baixos já lucraram com uma aparente valorização da moeda.
Os dados de economistas locais foram alarmantes: as retiradas de aplicações em pesos para a compra de dólares têm crescido significativamente. Embora não se fale ainda em uma corrida por dólares, os céticos da eficácia das medidas do governo de Milei estão aumentando. O especialista Fernando Corvaro mencionou a possibilidade de uma mudança para um regime de flutuação cambial, gerando mais incertezas no mercado.
Milei, em seu discurso, prometeu liberar o controle de divisas até o final do ano, mas isso dependerá da situação do BCRA. A ansiedade continua a crescer entre importadores e exportadores, que estão atuando rapidamente no mercado para garantir suas operações. Enquanto os importadores buscam pagar suas dívidas, os exportadores hesitam em liquidar suas divisas, aguardando condições mais favoráveis.
Mais de 1,6 milhão de argentinos viajaram para o exterior entre janeiro e fevereiro, com muitos se queixando dos altos preços dos produtos na Argentina. Um diplomata mencionou que os preços de alimentos nos supermercados europeus eram significativamente mais baixos em comparação a Buenos Aires, refletindo a crise de poder de compra enfrentada pelo população.
Para muitos, a situação atual evoca temores de uma nova desvalorização do peso, o que pode impactar ainda mais a economia local e a vida cotidiana dos argentinos, especialmente antes das eleições legislativas em outubro.