Nação

Engenheiro é condenado a mais de cinco anos de prisão por tentativa de homicídio de médico

2025-03-28

Autor: Matheus

O engenheiro Rafael Batista Bicalho, de 27 anos, foi sentenciado a cinco anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto por tentativa de homicídio contra o médico Henrique Figueiredo Papini de Moraes, de 30 anos. O veredicto foi proferido após um júri popular que se encerrou na madrugada da última sexta-feira, 28 de março. O crime ocorreu em setembro de 2016, na saída de uma boate localizada no Bairro Olhos D’Água, na região do Barreiro, em Belo Horizonte.

A acusação, liderada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), destacou que Rafael e seus amigos, Thiago Motta Vaz Rodrigues, Hélio Alberto Borja Brum e Felipe Alvim Gaissler, atacaram Henrique com sucessivos socos e chutes. A intenção de matar, no entanto, não se consumou devido a circunstâncias alheias à vontade dos acusados. Com o andar do processo, os outros acusados foram retirados da acusação, restando apenas Rafael.

Durante o julgamento, o tribunal ouviu uma testemunha de acusação e quatro da defesa, com um conselho de sentença composto por quatro mulheres e três homens. Henrique Papini revelou que já havia enfrentado agressões prévias de Rafael e seus amigos por estar se relacionando com a ex-namorada do réu.

Na fatídica noite do crime, Henrique foi perseguido e agredido por um grupo que incluía Rafael. Ele perdeu a consciência e foi levado para o CTI, onde enfrentou diversas complicações, incluindo a perda permanente de parte da audição.

Em sua defesa, Bicalho alegou que se aproximou de Henrique para discutir a situação envolvendo sua ex-namorada, mas a conversa se transformou em uma briga. Ele alegou que não tinha a intenção de infligir danos graves à vítima e ficou surpreso com as consequências de seu ataque.

O advogado de defesa, Zanone Júnior, argumentou que o caso deveria ser tratado como uma lesão corporal e não uma tentativa de homicídio. Ele mencionou que, no início, as alegações giravam em torno de um ataque premeditado por um grupo, o que no final das contas não se comprovou.

Henrique, que ainda era estudante durante o incidente, sofreu hemorragia cerebral, fraturas na face e traumatismo craniano, resultando em sequelas permanentes, como paralisia facial, surdez no ouvido esquerdo, perda parcial de olfato e paladar, além de problemas de visão e equilíbrio. Ele teve que mudar seu estilo de vida, abandonando esportes em equipe para correr sozinho.

Este caso reascende o debate sobre a violência ligada a relacionamentos e a importância da preservação da saúde mental. Além disso, muitos se questionam sobre como situações de ciúmes e traições podem escalar para níveis tão extremos, causando danos irreparáveis às vítimas. A sociedade aguarda que decisões como essa incentivem mais respeito e diálogo nas relações interpessoais e que ajudem a prevenir novas tragédias.