
Juíza dos EUA Impede Deportação de Estudante Turca Após Manifestação Sobre Genocídio
2025-03-30
Autor: Mariana
Uma juíza do estado de Massachusetts decidiu na última sexta-feira (28 de março de 2025) barrar a deportação de Rumeysa Ozturk, uma estudante turca de pós-doutorado de 30 anos. Ela havia publicado um artigo de opinião em um jornal estudantil da Universidade de Tufts, no qual pedia o reconhecimento do genocídio de Israel contra os palestinos.
Rumeysa Ozturk foi presa na terça-feira (25 de março de 2025) por agentes federais identificados que usavam máscaras, aproximadamente um ano após a publicação de seu artigo controverso. Foi informado que seu visto de estudos havia sido revogado. O Departamento de Segurança Nacional dos EUA alegou que Ozturk estava "envolvida em atividades em defesa do Hamas". Essa acusação gerou grande preocupação entre defensores dos direitos humanos e acadêmicos, que consideram as ações do governo como repressão à liberdade de expressão.
Logo após sua prisão, pedidos foram feitos para garantir que Ozturk não fosse transferida de Massachusetts, mas atualmente ela está detida no estado da Louisiana. A juíza Denise Casper, de Boston, determinou que, enquanto não houver uma determinação clara sobre a jurisdição do tribunal, Ozturk não pode ser deportada. A magistrada também ordenou que o governo, sob a administração de Donald Trump (Partido Republicano), respondesse aos questionamentos feitos pela estudante.
A advogada de Ozturk, Mahsa Khanbabai, considerou essa decisão um importante avanço na luta pela liberdade da estudante, permitindo que ela tenha a chance de retornar ao seu país e retomar seus estudos.
Por outro lado, Oncu Keceli, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Turquia, garantiu que o governo turco está agindo ativamente para libertar Ozturk e que assistência consular e legal foi providenciada pela missão diplomática em Washington. “Nosso cônsul em Houston visitou Rumeysa, onde ela está detida na Louisiana, no dia 28 de março. Os pedidos feitos por ela foram formalizados pelo seu advogado às autoridades locais”, afirmou em uma declaração nas redes sociais.
Vale destacar que a administração de Trump implementou medidas rigorosas de deportação contra estrangeiros que manifestam apoio à causa palestina, rotulando tais ações como apoio ao extremismo e ao antissemitismo. Essas políticas têm sido amplamente criticadas por diversas organizações e até mesmo por algumas instituições judaicas nos EUA, que expressam preocupação com a liberdade de expressão e com possíveis abusos de direitos humanos.
Além disso, mais de 300 vistos, incluindo vistos de estudantes, já foram revogados em decorrência de manifestações em apoio à Palestina, levantando um alerta sobre o clima de intolerância que persiste nos Estados Unidos em relação a questões políticas internacionais.