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Magazine Luiza: porque ações disparam 15% mesmo com desaceleração?

2025-03-14

Autor: Pedro

Após a divulgação dos resultados das Casas Bahia, o Magazine Luiza (MGLU3) apresentou os números do quarto trimestre de 2024, que foram considerados "mistos" por analistas do mercado.

Enquanto a rentabilidade continua em ascensão, sinais de desaceleração nas vendas geram cautela entre os especialistas, que não veem tanto ânimo em se expor ao ativo em meio ao atual cenário macroeconômico.

Hoje, no entanto, as ações do Magalu registraram um forte aumento, subindo 14,6% para R$ 9,70 às 11h45 (horário de Brasília). Outras ações, como as da BHIA3, também demonstraram um desempenho robusto, com um crescimento de até 20% após uma caída no dia anterior.

Em uma teleconferência, o CEO Frederico Trajano anunciou planos de acelerar o crédito da varejista Luiza para estimular as vendas em 2025, especialmente após a aprovação do Banco Central para o MagaluPay. O foco será a conversão de vendas e na melhora da rentabilidade, enquanto a empresa segue expandindo sua parceria com o Aliexpress para agilizar a logística.

Trajano ainda expressou confiança na demanda para 2025, acreditando que a desaceleração da economia será menos severa do que o previsto no mercado. A estratégia inclui a expansão das lojas físicas, que poderão ocorrer em pontos próprios e no modelo “store in store”.

Além disso, o humor do mercado é otimista, especialmente com o Ibovespa superando a marca de 127 mil pontos após a divulgação de resultados positivos sobre o setor público e um superávit primário de R$ 104 bilhões em janeiro, acima das expectativas dos analistas.

Analisando os resultados do Magalu, o lucro líquido ajustado cresceu 37,1% em comparação ao mesmo período de 2023, alcançando R$ 139,2 milhões; já sem ajustes, o lucro subiu 38,9%, totalizando R$ 294,8 milhões. O Ebitda também apresentou um crescimento significativo de 53,6%, chegando a R$ 842,4 milhões.

A receita líquida da companhia foi de R$ 10,8 bilhões, apresentando um aumento de apenas 2,3% em relação ao ano anterior. Analistas da XP Investimentos notaram que, embora as vendas tenham desacelerado, houve uma melhora na margem EBITDA.

O GMV (volume bruto de mercadorias) cresceu 2,6%, mas esse crescimento é inferior ao do trimestre anterior. Vendas em mesmas lojas aumentaram 8%, embora as vendas online tenham mostrado uma leve evolução de apenas 1% ano a ano. Esse quadro reflete um contexto macroeconômico desafiador.

Os analistas do Bradesco BBI também destacaram uma performance sem grande brilho nas vendas, com margens operacionais em linha com o esperado. O crescimento das vendas líquidas ficou em 2,2% ao ano, impulsionado principalmente pelas lojas físicas.

Após dois trimestres consecutivos apresentando lucro antes dos impostos positivo, o Magalu viu sua dívida líquida ser reduzida em R$ 778 milhões, o que é visto como um sinal positivo por analistas.

É importante notar que a margem bruta, embora tenha registrado uma queda de 20 pontos-base, ainda é uma área de atenção. A Genial Investimentos menciona que a recuperação da margem bruta depende de um aumento nas vendas das lojas físicas e um melhor desempenho do canal de marketplace.

Para 2025, a tendência é de que o cenário se torne mais desafiador para vendas no varejo de alto ticket, especialmente considerando o aumento das taxas de juros e a competitividade acirrada com as Casas Bahia. Apesar de um cenário desafiador, há expectativa de que inovações em serviços e no marketplace possam ajudar a suavizar os impactos econômicos negativos.

No entanto, a preocupação persiste em relação à desaceleração das vendas e se a empresa irá manter sua competitividade frente aos seus principais concorrentes. Mantendo um olhar atento às movimentações do mercado, o Magalu poderá navegar por esses tempos incertos de maneira eficaz.