
Opinião | O Retorno de Lula e os Desafios que o País Enfrenta
2025-03-29
Autor: Julia
O presidente Lula retorna da Ásia nesta segunda-feira em meio a três grandes desafios que prometem agitar o cenário político e econômico do Brasil nesta semana: o novo pacote de tarifas imposto por Donald Trump, um polêmico projeto de anistia para os envolvidos no golpe de Estado de 8 de janeiro e as discussões acirradas sobre as penas aplicadas a golpistas, com destaque para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, que acompanharam Lula durante sua viagem, estão de volta a Brasília e devem apresentar posições definidas sobre o projeto de anistia, que reacendeu as esperanças de Bolsonaro de evitar a condenação e a prisão. Motta já sinalizou que a anistia não é uma prioridade na agenda legislativa. A questão que se coloca é como lidar com a obstrução do PL no plenário, que pode complicar ainda mais as negociações.
Quanto às tarifas: Trump desestabiliza o cenário global ao minar a credibilidade de organismos multilaterais e ao alterar drasticamente as regras do comércio internacional. O Brasil não escapará impune desse efeito. Já enfrenta tarifas de 25% sobre aço e alumínio e deverá sentir os impactos diretos no setor automotivo, onde é um importante fornecedor de peças. Trump já indicou o Brasil como alvo de novas tarifas, que podem ser anunciadas na próxima terça-feira.
O governo brasileiro enviou um alerta ao USTR, o representante de comércio dos EUA, expressando que essas tarifas podem "prejudicar gravemente" as relações comerciais entre os dois países. Da sua visita ao Japão, Lula criticou as ações de Trump e enfatizou a importância do equilíbrio no comércio bilateral, sugerindo que o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para resolver essa disputa, promovendo a ideia de reciprocidade: tarifas para cá, tarifas para lá.
O que podemos esperar dessa recente movimentação? Com a instabilidade global e uma possível guerra comercial no horizonte, é crucial que o Brasil avalie seus próximos passos com cautela. Os números mostram que, em 2024, o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões para os EUA e importou US$ 40,6 bilhões, o que revela um pequeno superávit comercial para os americanos, uma situação que se repete ano após ano. Portanto, a preocupação maior é sobre a fragilidade das trocas que, se desiguais, podem prejudicar ainda mais a economia nacional.
Diante de tantas incertezas, os próximos dias devem revelar a postura de Lula e de seu governo no enfrentamento dessas questões que, sem dúvida, têm o potencial de moldar o futuro empresarial e político do Brasil.