Tecnologia

Testes de Celulares no Brasil Ganham Atenção da Casa Branca

2025-03-14

Autor: João

Recentemente, a Câmara de Comércio dos EUA enviou uma carta ao governo brasileiro, ressaltando as barreiras regulatórias enfrentadas por empresas que atuam no setor de telecomunicações. Esta situação, segundo a câmara, impede o progresso de um acordo com as autoridades brasileiras, que já está engavetado há anos.

As acusações são contundentes: com aproximadamente 3 milhões de associados, a entidade afirma que o Brasil impõe "exigências regulatórias onerosas" para as empresas de telecomunicações. Mas o ponto central da disputa reside nos testes de homologação, um processo imprescindível para que qualquer dispositivo eletrônico que emita radiofrequência possa ser comercializado no país.

Sem esses testes, celulares, computadores e até drones não poderão ser vendidos. Esse procedimento serve como um padrão de qualidade, assegurando que os dispositivos funcionem dentro dos parâmetros estabelecidos pelo fabricante e que não causem interferências prejudiciais ou riscos à segurança dos usuários.

Além disso, esses testes também são fundamentais no combate à pirataria online. Com a expansão do chamado "gatonet" – serviços de streaming que distribuem conteúdo sem remuneração aos autores – a Anatel tem intensificado esforços para impedir que dispositivos ilegais se conectem à internet, o que representa uma ameaça à segurança cibernética. Atualmente, laboratórios como Instituto Eldorado e CPqD, ambos em Campinas, são os responsáveis pela execução desses testes.

Mas a crítica mais contundente da Câmara de Comércio dos EUA não se refere apenas aos testes, mas sim às dificuldades impostas quanto a quem pode realizá-los para que sejam válidos no Brasil. A Anatel não aceita dados de testes realizados fora do território nacional, exceto em casos muito específicos. Isso gera um aumento significativo nos custos e pode atrasar a chegada de produtos ao mercado brasileiro.

Carlos Manuel Baigorri, presidente da Anatel, destacou que o Brasil é a favor de um acordo de reconhecimento mútuo que permita a aceitação de testes realizados em outros países, mas que os Estados Unidos têm sido inflexíveis nesse ponto. Ele afirmou que o Brasil estaria disposto a reconhecer as certificações americanas, desde que haja reciprocidade.

Esse impasse adquire relevância ainda maior no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC). A Câmara de Comércio argumenta que as barreiras regulatórias impostas pelo Brasil vão contra os compromissos assumidos nas discussões globais sobre comércio, como o Acordo de Barreiras Técnicas ao Comércio, que visa eliminar obstáculos desnecessários.

Por outro lado, Baigorri argumenta que os EUA poderiam se beneficiar ao aceitar os testes realizados no Brasil, pois estas avaliações têm se mostrado mais rápidas e menos custosas em comparação com as realizadas em solo americano. Um possível acordo poderia, assim, abrir portas para os laboratórios brasileiros no mercado norte-americano.

Com as discussões emperradas, fica a expectativa sobre como esses debates evoluirão e que impactos eles terão no mercado tecnológico entre os dois países. A análise da situação reflete uma tensão crescente na dinâmica comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, além de uma oportunidade de alinhamento nas regulamentações comerciais globais.