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Trump Pressiona Empresas Europeias a Abandonar Políticas de Diversidade

2025-03-29

Autor: Gabriel

O 'Efeito Trump' continua a reverberar no cenário corporativo, com empresas americanas se rendendo à agenda conservadora, abandonando suas metas de diversidade e práticas de ESG (governança ambiental, social e corporativa). Mas a pressão não se limita apenas aos EUA; agora, empresas europeias estão na mira.

Um documento confidencial, intitulado "Certificação sobre Conformidade com a Legislação Federal Antidiscriminação Aplicável", que foi obtido pelo Financial Times, destaca que as novas diretrizes que proíbem programas de inclusão e promoção da equidade nas empresas americanas também se aplicam a fornecedoras e prestadoras de serviços no exterior, se estiverem conectadas ao governo dos EUA. "A Ordem Executiva 14173, assinada por Trump, se aplica a todos os fornecedores, independentemente da nacionalidade", afirma a carta distribuída por diplomatas americanos em países do Leste Europeu e na Bélgica.

As consequências dessa ordem são gravíssimas. As empresas receberam um prazo de cinco dias para certificar que não operam programas de Diversidade e Inclusão (DEI), sob pena de perderem contratos governamentais. Além disso, a carta estabelece que a não conformidade pode resultar na investigação sob o False Claims Act, intensificando a pressão.

Essa movimentação cai como uma bomba em um momento já tenso nas relações econômicas entre os EUA e a Europa, especialmente após a eleição de Trump, que trouxe à tona a famosa plataforma "America First". Recentemente, o ex-presidente impôs tarifas adicionais de 25% sobre importações de veículos europeus e aumentou impostos sobre alumínio e aço, provocando uma onda de retaliação do lado europeu.

O impacto já está sendo sentido. O governo francês expressou preocupações sobre a nova política americana, ressaltando que esses valores não refletem as práticas e crenças adotadas pela França, onde leis restringem a coleta de dados raciais e étnicos.

Além disso, muitas empresas francesas, tradicionais nesse aspecto, podem ser forçadas a mudar suas práticas de inclusão e diversidade, o que representa um grande desafio. Empresas do setor aeronáutico, defesa e consultoria podem estar entre aquelas afetadas.

Enquanto isso, a discussão sobre a relevância das políticas DEI se intensifica nos EUA, onde as iniciativas surgiram como reação às desigualdades históricas. Apesar de um número crescente de empresas como Amazon e Starbucks terem adotado políticas inclusivas, agora enfrentam um movimento crescente para desmantelar tais esforços.

Neste cenário, o que será do futuro das empresas que se alimentaram da diversidade? As consequências para as cadeias de suprimento globais também são incertas. O que podemos esperar é um aumento nas tensões entre as práticas corporativas em uma América isolacionista e uma Europa que busca preservar seus valores seculares. O mundo corporativo observa, e a batalha pela diversidade pode ser apenas o início de uma guerra maior.