
A Árvore Centenária que Viu São Paulo Crescer é Derrubada por Tempestade
2025-03-15
Autor: Julia
Uma forte tempestade que atingiu São Paulo na quarta-feira deixou um rastro de destruição em vários bairros da cidade. Thais Bilenky relatou que "a chuva foi intensa e alguns bairros ficaram totalmente danificados". Segundo o colunista José Roberto de Toledo, a tempestade foi exacerbada por ventos fortes, o que tornou a situação ainda mais preocupante: "Foi uma chuva atípica, onde a velocidade do vento teve um impacto maior do que a quantidade de água caída."
Em apenas algumas horas, mais de 200 árvores foram derrubadas, um número alarmante que ultrapassa a média mensal de quedas na cidade. Tristemente, a queda das árvores resultou na morte de um taxista, aumentando a gravidade do ocorrido.
Esse episódio coloca em questão as declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre a preparação da cidade para eventos climáticos extremos. Toledo criticou as afirmações do prefeito, dizendo que "São Paulo está super preparada para enfrentar o aquecimento global" é uma falácia que não pode ser ignorada.
Entre as árvores afetadas, o chichá do Largo do Arouche, que já apresentava fragilidade após a perda de dois galhos em um evento climático anterior, não recebeu os cuidados necessários. "A prefeitura apenas colocou uma placa lá. É a terceira árvore mais antiga de São Paulo. Enquanto uma cerquinha foi feita em torno dela, o cuidado com a árvore foi negligenciado," lamentou Bilenky.
Essa árvore, pertencente à família da sumaúma amazônica, foi testemunha de profundas transformações na cidade ao longo dos anos. "Quando nasceu em uma chácara, São Paulo era uma cidade pequena, com cerca de 20 mil habitantes. Agora, a cidade abriga mais de 11 milhões de pessoas, sendo a megacidade que mais cresceu no século XX no mundo," contou Toledo.
O colunista detalhou a rica história que essa árvore presenciou: "Ela viu a criação do bonde puxado por burros, depois a introdução do bonde elétrico, seguido pelo ônibus e, por último, o metrô." Na sua juventude, a água era distribuída por carroças, e havia apenas um cirurgião habilitado na cidade.
A perda do chichá vai além de uma árvore antiga. "Estamos perdendo as melhores e maiores árvores da cidade. Os bairros que agora são valorizados por suas árvores estão se tornando desprovidos delas e não estão sendo repelidas," alertou Toledo. Ele concluiu enfatizando que "a cidade carece de governantes que compreendam a gravidade dos eventos climáticos extremos que estamos enfrentando."
São Paulo continua em alerta para futuras situações climáticas, e a responsabilidade por cuidar e preservar o patrimônio verde da cidade é mais urgente do que nunca. A falta de ação pode levar a mais tragédias e perdas irreparáveis.