
Aeris Energy Enfrenta Prejuízo Histórico e Busca Exportações para Superar Crise no Setor Eólico
2025-03-29
Autor: Matheus
A fabricante cearense de pás eólicas, Aeris Energy, registrou um impressionante prejuízo líquido de R$ 934,1 milhões em 2024. O relatório divulgado esta semana revela que, desse total, R$ 833,1 milhões foram contabilizados apenas no quarto trimestre (4T24). Esse número é alarmante, representando um aumento de 1.204,7% em comparação com o mesmo período de 2023, que teve um prejuízo de R$ 63,9 milhões. No total do ano, o prejuízo cresceu 776,5% em relação a 2023, quando o valor foi de R$ 106,6 milhões.
O cenário desolador reflete uma diminuição significativa no valor recuperável dos ativos, com um impairment de R$ 751 milhões. Isso se deve à rescisão de três grandes contratos com empresas renomadas, como Siemens Gamesa, Nordex e Weg. Alexandre Negrão, CEO da Aeris, defende que as relações com os clientes são boas e acredita que, com a recuperação do mercado eólico, a empresa voltará a ser vista por esses players.
Desagregando os números que contribuem para esse rombo financeiro, R$ 505,4 milhões são relacionados a estoques, R$ 213,2 milhões a provisões para perdas, e outros R$ 32,3 milhões foram classificados como intangíveis, resultado de um projeto encerrado que não atingiu as metas previstas.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no 4T24 também trouxe notícias negativas, apresentando um valor de R$ 1,6 milhão negativo, enquanto no mesmo período de 2023, o resultado era positivo em R$ 34 milhões. Analisando o ano completo, a queda do Ebitda foi de impressionantes 58%, caindo de R$ 330,3 milhões em 2023 para R$ 138,8 milhões em 2024.
Em termos de receita líquida, a Aeris reportou R$ 1,52 bilhão em 2024, uma redução de 46,5% comparado ao ano anterior, que teve receita de R$ 2,83 bilhões. Focando no último trimestre, a diminuição foi ainda mais intensa, atingindo 69,9%, com receitas de R$ 211,4 milhões ante R$ 702,7 milhões em 2023.
Buscando reverter a situação, o CFO da Aeris, José Azevedo, revelou que a empresa está em processo de renegociação das dívidas, buscando prazos mais longos e revisão dos ‘covenants’. O objetivo é garantir a liquidez necessária e finalizar essas negociações até o final do 1T25. A expectativa é que a recuperação comece a ocorrer entre 2027 e 2028.
Além disso, a Aeris tem se articulado com associações do setor de energia eólica e do governo federal para otimizar os leilões e a importação de componentes e aerogeradores. Negrão observa que, apesar de não prever um ‘boom’ no setor eólico, as perspectivas são de um crescimento moderado, prevendo um total de 2,5 a 3 gigawatts por ano até 2027.
Entretanto, um dado animador foi o crescimento robusto nas exportações, que saltaram de R$ 5 milhões no 3T24 para R$ 67,2 milhões, representando 31,8% da receita líquida. Essa expansão mostra que, apesar das dificuldades no mercado nacional, a Aeris está se consolidando como uma fornecedora global, explorando demandas externas, principalmente nos Estados Unidos e em outros países da América Latina.
Outro ponto positivo foi o desempenho do setor de serviços, que superou as expectativas: ao invés do crescimento previsto de 5%, a Aeris registrou um aumento de 30% no 4T24, fechando o ano com um crescimento total de 10%. A expectativa é que a unidade de serviços, atualmente operando no Brasil e na América Latina, torne-se uma parte significativa da receita nos próximos anos.
A Aeris deve se preparar para um futuro de transformações no mercado eólico, e a diversificação em exportações e serviços será fundamental nesse processo de reestruturação.