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Após massacre de minoria, líder sírio estabelece governo de transição com diversidade étnica

2025-03-29

Autor: Fernanda

Em uma reviravolta surpreendente, Ahmad al-Sharaa, antigo líder do notório grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS), anunciou a formação de um novo governo de transição na Síria, destacando a inclusión de figuras de diferentes minorias étnicas. Após a derrubada de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, que marcava o fim de um regime opressivo de quase 14 anos, a Síria inicia um novo capítulo em sua história política.

Al-Sharaa nomeou Hind Kabawat, uma mulher cristã e destacada ativista pela tolerância inter-religiosa, como ministra dos assuntos sociais e trabalho. O gabinete também conta com Yarub Badr, um alauíta que comandará o ministério dos transportes, e Amgad Badr, da comunidade drusa, que estará à frente do ministério da agricultura. Além disso, Mohammed Yosr Bernieh foi designado para as Finanças, enquanto Murhaf Abu Qasra e Asaad al-Shibani permanecerão como ministros da Defesa e das Relações Exteriores, respectivamente.

O anúncio do novo governo segue as crescentes pressões internas para que al-Sharaa iniciasse um processo de governança que refletisse a diversidade étnica que caracteriza a nação síria. Em março de 2024, ele já havia assinado uma nova constituição, estabelecendo um prazo de até cinco anos para a realização de eleições. "Queremos construir um futuro onde todos sejam ouvidos e respeitados", declarou al-Sharaa durante a cerimônia de assinatura.

Entretanto, a transição política ocorre em meio a um cenário tenso, marcado por recentes massacres que deixaram mais de 1.000 mortos, entre eles muitos civis. As violências, que chocaram o país e o mundo, são atribuídas a confrontos envolvendo a resistência alauíta, ligada ao antigo regime de Bashar al-Assad. Organizações de direitos humanos, como o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), denunciam abusos cometidos pelo novo governo, caracterizados como uma “limpeza étnica sistemática” contra as minorias.

Em resposta a estes eventos trágicos, al-Sharaa se comprometeu a punir os responsáveis pelas violências contra civis e acusou os seguidores de Assad, bem como forças estrangeiras, de desejarem promover um novo ciclo de instabilidade. A tensão se intensifica com o governo enviando reforços para conter resistências ainda existentes nas regiões alauítas, enquanto relatos de execuções sumárias e valas comuns emergem, amplificando as preocupações internacionais sobre a repressão do novo regime.

A nova fase da Síria sob a liderança de al-Sharaa promete ser desafiadora, mas também repleta de possibilidades. O mundo observa atentamente, em expectativa do que este governo de transição representa para o futuro do país e para a paz em uma região marcada por tantas tragédias.