Tecnologia

Ceará sob Ataque: Provedores de Internet Fecham as Portas em Meio à Crise de Segurança

2025-03-21

Autor: Carolina

Uma onda de ataques por grupos criminosos no Ceará resultou no fechamento de pelo menos cinco provedores de internet, com outros dez em processo de encerramento. Esta informação foi confirmada pela Uniproce, a Associação dos Provedores do Ceará, que optou por não revelar os nomes das empresas afetadas por questões de segurança.

Entre as empresas que publicamente anunciaram seu fechamento, destaca-se a GPX Telecom, que atuava em Caucaia, na Grande Fortaleza, por quase uma década. Em um comunicado alarmante nas redes sociais, a GPX afirmou que suas instalações foram completamente destruidas em um curto espaço de tempo, resultando na dolorosa decisão de encerrar suas operações.

"Em menos de 20 minutos, atos de vandalismo devastaram tudo o que construímos com tanto esforço, levando-nos a tomar a difícil decisão de encerrar nossas operações", lamentou a empresa. A GPX ressaltou seu compromisso com a legalidade e qualidade dos serviços, e expressou a esperança de que a justiça tome medidas em relação a essa situação preocupante que impacta a todos.

É relevante mencionar que os ataques, que começaram em fevereiro, incluem episódios de queimas de veículos, destruição de lojas e ameaças a funcionários das prestadoras. Diante desta situação crítica, a Polícia Federal foi acionada para ajudar nas investigações.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destacou que não recebeu oficialmente denúncias relacionadas a este problema, enfatizando que se trata de uma questão de segurança pública, não regulatória.

No total, o Ceará conta com 1.116 provedores de banda larga autorizados, mas 596 deles têm menos de cinco mil assinantes e utilizam tecnologia de fibra ótica. Infelizmente, muitos deles podem não conseguir sobreviver a esse cenário de violência.

Os grupos criminosos, especialmente facções como o Comando Vermelho, visam controlar o serviço de telecomunicações em diversas regiões, ameaçando provedores e exigindo até 60% da receita para que possam operar sem interrupções. Denúncias indicam que, frequentemente, empresários são cooptados para trabalhar exclusivamente com certas empresas em troca de proteção.

O fechamento de provedores de pequeno porte tem consequências mais amplas: 60% da banda larga fixa no Brasil é fornecida por prestadoras menores. Cristiane Sanches, Conselheira da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), afirmou que a situação no Ceará gera um impacto nacional, especialmente em várias regiões que são afetadas pela ação de facções e promovem um sentimento de insegurança generalizada.

Os danos não são apenas financeiros para as empresas; muitos clientes ficam sem acesso a serviços essenciais, e a qualidade das telecomunicações se torna uma grande preocupação. Segundo Thiago Ayub, especialista em tecnologia da informação, esse cenário limita a competição no mercado, encarecendo custos e piorando a qualidade para os consumidores.

Uma análise mais ampla revela que o Brasil é o país com o maior número de provedores de internet do mundo, oferecendo serviços superiores se comparados a países como Reino Unido, Alemanha e Finlândia. A deflação no setor de internet, onde os preços se mantêm estáveis ao longo dos anos, é um reflexo da competição acirrada, mas sob a atual onda de violência, essa prosperidade corre um sério risco de se reverter.