Ciência

Não é só beleza: como as flores combatem o aquecimento global

2025-03-30

Autor: Pedro

A ciência já comprovou que a vegetação é um aliado poderoso na redução dos efeitos do calor, especialmente em áreas urbanas. De acordo com o professor de Ecologia de Florestas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Peter Groenendyk, as microflorestas urbanas, que são ecossistemas florestais em espaços como praças e rotatórias, podem diminuir a temperatura em até 4,9ºC. "Em dias quentes, com temperaturas de 30 a 35 graus, essa diferença é notável", afirmou em entrevista ao G1.

Por outro lado, o impacto específico de determinados tipos de vegetação, como as flores, ainda não foi totalmente explorado. Um estudo de 2021 apresentou dados reveladores sobre a influência de áreas floridas em terrenos montanhosos, mostrando que a presença de flores pode resultar em uma diminuição significativa da temperatura do solo.

"Após três anos de pesquisa, constatamos que terrenos com plantas, mas sem flores, apresentaram temperaturas até 1,2ºC mais altas do que os que tinham flores. Isso reforça a ideia de que as flores ajudam a refletir a luz solar", afirmam os pesquisadores Alfonso Blázquez Castro, da Universidade Autônoma de Madrid, e Amy Iler, da Universidade de Northwestern, ambos co-autores do estudo. Esse fenômeno é denominado "efeito de albedo".

Os pesquisadores relataram que, na ausência de flores, esse efeito de resfriamento não ocorre, além de notar que a umidade do solo, essencial para a sobrevivência das plantas, era significativamente menor quando flores estavam ausentes. O albedo gera um impacto direto na temperatura e na energia térmica do planeta; quanto mais clara a superfície, maior é o albedo.

O que muitos não sabem é que a mudança das cores da vegetação, das tonalidades verdes da primavera para os vermelhos e amarelos do outono, provoca uma alteração drástica no albedo de várias regiões, o que influencia o aquecimento e o clima.

Entretanto, as flores não estão imunes às mudanças climáticas e já sofrem as consequências, criando um potencial ciclo vicioso em algumas regiões. O aumento da temperatura média nos locais pesquisados leva a uma floração antecipada na primavera, mas durante as noites ainda frias, as flores podem congelar e morrer, resultando em uma taxa de reprodução reduzida. Isso, por sua vez, compromete ainda mais a quantidade de flores disponíveis na primavera e no verão, elevando a temperatura e a secura do solo, causando estresse adicional nas plantas.

Os cientistas alertam que essa perda de flores pode intensificar os problemas de aquecimento, desta vez diminuindo o albedo e, consequentemente, a capacidade do ambiente de se resfriar. Eles enfatizam a necessidade de mais pesquisas para entender melhor os efeitos do aquecimento global sobre a vegetação e como podemos usar as flores em nosso favor para lutar contra as mudanças climáticas.