
Protestos Históricos Abalam a Turquia Após Prisão de Prefeito de Istambul
2025-03-23
Autor: Carolina
Na noite de sábado (22), Istambul foi palco dos maiores protestos da última década, em resposta à detenção do prefeito Ekrem Imamoglu, um dos principais rivais do presidente Recep Tayyip Erdogan. Os manifestantes se mobilizaram em massa, acusando o governo de usar a máquina pública para reprimir a oposição e impedir a candidatura de Imamoglu nas eleições presidenciais de 2028.
O que Gerou os Protestos
Imamoglu, que pertence ao Partido Republicano do Povo (CHP), foi preso no dia 19 de março sob acusações de corrupção e suposta colaboração com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O PKK é considerado um grupo terrorista por diversos países, incluindo Turquia, Estados Unidos e União Europeia. Além de Imamoglu, mais de 100 pessoas também foram presas, incluindo dois prefeitos de distritos.
A prisão de Imamoglu aconteceu poucos dias antes de o CHP anunciar seu candidato presidencial. Ele despontava como forte concorrente a Erdogan, e a situação se agravou quando a Universidade de Istambul revogou seu diploma, o que poderia torná-lo inelegível para concorrer.
Repressão e Resposta Governamental
Desde a detenção de Imamoglu, os protestos se intensificaram, culminando na maior manifestação desde as revoltas do Parque Gezi em 2013. Em Istambul, milhares de pessoas se reuniram em frente ao tribunal onde o prefeito foi interrogado. Em resposta, a polícia em Ancara e Izmir utilizou gás lacrimogêneo, spray de pimenta e canhões d'água para dispersar a multidão.
O ministro do Interior, Ali Yerlikaya, afirmou que ao menos 343 protestantes foram detidos e negou que a prisão de Imamoglu tenha motivações políticas, sustentando que o sistema judicial atua de forma independente. Entretanto, Erdogan criticou os protestos, alegando que "os dias de vandalismo e terror de rua ficaram para trás."
Impacto Político Amplificado
Contudo, os protestos vão além da defesa de Imamoglu. Muitos manifestantes veem essa situação como um reflexo dos problemas mais amplos que a Turquia enfrenta, incluindo a deterioração da democracia, a crise econômica, desafios na educação e falhas no sistema de saúde. O clima de instabilidade política e a insatisfação social foram acentuados por questões como a inflação e a desvalorização da moeda local.
Apesar do clima de crise, o CHP confirmou que as primárias do partido continuarão conforme o planejado, com a participação de cerca de 1,5 milhão de delegados. Se Imamoglu não puder concorrer, a oposição precisará encontrar um novo candidato forte para desafiar Erdogan nas próximas eleições. Essa situação coloca em xeque o equilíbrio político no país e poderá redefinir o futuro da oposição na Turquia.