
Tragédia no Cristo Redentor: Como um desfibrilador poderia ter salvado uma vida?
2025-03-19
Autor: Fernanda
A recente morte de um turista no Cristo Redentor reacendeu o debate sobre a necessidade de desfibriladores em locais de grande concentração de pessoas. Segundo o cardiologista Jorge Ferreira, o desfibrilador é um equipamento crucial em casos de parada cardíaca. "Ele atua como um relógio da sobrevivência: a cada minuto sem atendimento as chances de sobrevivência caem drasticamente. Se o paciente apresenta um ritmo chocável, o desfibrilador pode aumentar consideravelmente as chances de salvamento", afirma o especialista, que é também coordenador do Laboratório de Habilidades Médicas e Simulação (LHS).
Ferreira ressalta que os desfibriladores automáticos são projetados para que qualquer pessoa, mesmo sem treinamento prévio, possa utilizá-los. "Basta seguir as instruções do aparelho. Ele fornece orientações sobre a colocação dos eletrodos, a necessidade de manobras de ressuscitação e, em muitos casos, aplica o choque necessário. Ter esse equipamento à disposição poderia ter mudado o destino do turista", explica.
As imagens de uma câmera de segurança capturaram o momento em que o turista gaúcho passou mal, agravando a situação. Apesar das tentativas de reanimação feitas pela nora de Jorge e outras pessoas presentes, a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) se deu após 35 minutos, tempo que, segundo Melissa Schiwe, enfermeira e nora do turista, foi crucial. "Quando o Samu chegou, já tinham se passado 40 minutos desde o início da emergência. Infelizmente, isso não foi suficiente", conta ela.
O cardiologista alerta ainda que esforços físicos intensos podem ser um gatilho para infartos, especialmente em indivíduos com fatores de risco. "Escalar uma escada é um exercício moderado a intenso. Para quem é sedentário ou possui doenças cardíacas não diagnosticadas, isso pode resultar em arritmias e, consequentemente, em paradas cardíacas. No vídeo, vemos que o turista começou a passar mal após o último degrau da escada, o que indica um potencial evento cardíaco", analisa Ferreira.
A ausência de infraestrutura adequada para emergências no Cristo Redentor também é uma questão preocupante. Embora o local já tenha adotado medidas como a instalação de postos médicos e ambulâncias, Ferreira defende que a presença de uma equipe de socorristas treinados é crucial. "Um atendimento imediato poderia ter mudado completamente o desfecho desse incidente. É provável que o turista já tivesse uma condição cardíaca preexistente que evoluiu para uma arritmia e, em seguida, a parada cardíaca e a morte", afirma.
Vale lembrar que a legislação brasileira já exige a presença de desfibriladores em locais de grande fluxo, como estádios e aeroportos. Infelizmente, essa norma não é amplamente cumprida em pontos turísticos, que exigem esforço físico dos visitantes. "Existem leis federais que determinam a presença de desfibriladores, mas não necessariamente a disponibilidade de uma equipe médica. Em locais como o Cristo Redentor, onde os visitantes enfrentam desafios físicos, a obrigatoriedade de uma equipe de suporte deveria ser uma prioridade", conclui Ferreira.
Casos como este repetem o alerta sobre a importância de uma resposta rápida em situações de emergência. "É vital ter recursos como um desfibrilador e uma equipe de primeiros socorros treinada disponível, visto que eventos súbitos podem ser imprevisíveis". Ferreira, enfatiza que é possível reduzir significativamente o risco de eventos agudos através de exames, mas ainda há uma margem em torno de 30% de situações sem prever. A tragédia do Cristo Redentor poderia servir como um chamado à ação para que locais turísticos priorizem a segurança dos visitantes.